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Coronavírus: cuidado com as fake news. A prevenção começa com informação

Com certeza você já recebeu uma mensagem pelo WhatsApp sobre o coronavírus ou se deparou com uma novidade quentíssima sobre a doença do momento circulando nas redes sociais. Mas você sabia que a maioria delas é fake?

(Texto de Vanessa de Sá)

Com certeza você já recebeu uma mensagem pelo WhatsApp sobre o coronavírus ou se deparou com uma novidade quentíssima sobre a doença do momento circulando nas redes sociais. Mas você sabia que a maioria delas é fake?

Só para você ter uma ideia, o Ministério da Saúde criou um grupo para checar o monte de bobagens que anda circulando por aí. Das 6.500 mensagens recebidas e analisadas entre 22 de janeiro e 27 de fevereiro, segundo a Folha de S.Paulo, 90% eram relacionadas ao novo vírus e dessas, 85% eram falsas.

A melhor e mais eficaz maneira de se prevenir contra o vírus é através da informação. Só informação correta pode ajudá-lo a tomar as devidas medidas para evitar uma possível contaminação.

Veja só algumas das fake news mais compartilhadas nas redes sociais e aprenda por que elas são falsas:

  1. Vou pegar COVID-19 se eu receber uma carta ou um pacote da China.

MENTIRA. Pessoas que recebem compras, cartas ou pacotes da China não têm nenhum risco de contrair a doença, afirma a Organização Mundial da Saúde (OMS). Todas as análises mostram que os coronavírus não sobrevivem por muito tempo em objetos, como pacotes ou cartas.

Um estudo publicado em janeiro de 2020 com outros tipos de coronavírus mostrou que esses parentes do novo vírus podem sobreviver em superfícies como metal, vidro ou plástico por até 9 dias, mas as superfícies presentes num pacote não são as ideais para o vírus sobreviver.

Para que ele se mantenha vivo fora do corpo de uma pessoa, ele precisa de uma combinação de fatores, como uma determinada temperatura e umidade e não haver exposição aos raios UV – os raios do sol. “Você não encontra esse tipo de combinação num pacote ou carta que veio pelo correio”, diz Amesh Adalja, pesquisadora do Centro para a Segurança em Saúde da Universidade Johns Hopkins ao site Live Science.

Outra fake news que vem circulando que diz que estourar plástico bolha dos pacotes que vêm da China pode transmitir o vírus porque, o ar contido dentro das bolhas estaria vindo daquele país.

Sim, até o momento a China concentra o maior número de casos. Dos pouco mais de 87 mil casos, segundo boletim do dia 2 de março da Organização Mundial da Saúde, 79. 968 foram relatados na China, com 2.873 mortes. Mas, mais uma vez, o vírus não sobrevive por muito tempo em objetos, especialmente um pacote que vem pelo correio.

2. Comer alho ajuda a prevenir a infecção

MENTIRA. Alho é um excelente alimento e tem algumas propriedades antimicrobianas. Entretanto, não existe nenhuma evidência de que comer alho ajude a proteger ou prevenir da infecção.

3. Passar óleo no corpo ajuda a impedir o vírus de entrar no corpo

FAKE. Nenhum óleo mata o coronavírus. Existem alguns desinfetantes capazes de matar o vírus em superfícies, como é o caso dos alvejantes, etanol 75%, clorofórmio, desinfetantes à base de cloro, informa a OMS. Além de esses desinfetantes serem perigosos quando passados na pele, eles não têm nenhum impacto no vírus se você passar esses produtos embaixo do nariz ou na sua pele.

4. Especialistas de Taiwan fornecem uma avaliação simples do que fazer toda manhã: respire fundo e prenda a respiração por 10 segundos. Se você conseguir fazer isso sem sentir desconforto ou não tossir, isso prova que você não tem fibrose nos pulmões e nem está infectado.

FAKE! O coronavírus não causa fibrose nos pulmões. Ele ataca o sistema respiratório, mas não causa fibrose.

5. Tomar chá de erva-doce 2 vezes ao dia ajuda contra o coronavírus.

FALSO! As notícias que circulam é que o chá de erva-doce contém a mesma substância que o Tamiflu. Não. O Tamiflu é o nome comercial da substância oseltamivir. O fosfato de oseltamivir, o princípio ativo do Tamiflu, é feito em laboratório e não poderia estar contido no chá. Além disso, não existe nenhum remédio ou substância já descoberta que seja efetiva contra o vírus. Por isso, também são falsas outras duas informações que circulam nas redes: a de que chá de abacate com hortelã previne da doença e que uísque com mel combate o coronavírus.

6. Álcool gel não tem eficácia; vinagre sim

MENTIRA! Não há provas de que vinagre consiga matar o vírus. É bom ressaltar que esse é um germe descoberto há pouco tempo, o que significa que os pesquisadores ainda não têm todas as respostas. Mas do que já se sabe é que lavar as mãos frequentemente com água e sabão ainda é a maneira mais efetiva contra o vírus. As autoridades de saúde americanas e brasileiras dizem que o álcool gel é uma alternativa, mas apenas quando não se tem água e sabão à vista. Além disso, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, os famosos CDC, afirmam que o álcool gel não funciona quando as mãos estão muito sujas ou oleosas. Outra coisa importante: a solução deve conter entre 60% e 95% de álcool.

7. Máscara protege do novo coronavírus

Embora muita gente esteja comprando máscaras para se proteger, elas só conseguem barrar partículas grandes, aquelas excretadas por uma pessoa contaminada quando ela tosse ou espirra. Essas partículas maiores só conseguem viajar no ar por uma curta distância, por isso se recomenda ficar a pelo menos 1 metro de alguém que corre o risco de ter a doença. Por isso, a máscara funciona, sim, mas para ajudar a prevenir alguém que está infectado com o vírus de continuar espalhando a doença.

8. Pegar coronavírus é uma sentença de morte

FALSO! A imensa maioria das pessoas infectadas com o vírus – 81% – têm sintomas leves, segundo um estudo chinês. Só 14 em cada 100 pessoas têm sintomas graves, o que significa que elas têm dificuldades respiratórias sérias, precisando inclusive de suporte de oxigênio. Cerca de 5% são pacientes críticos, ou seja, que têm falência respiratória e falência múltipla dos órgãos. Até o momento, os dados indicam que pouco mais de 2 a cada 100 pessoas com o vírus morreram da doença. Idosos e pessoas com outras doenças sérias, como problemas do coração, diabetes são as que têm mais risco de terem sintomas graves.

9. Já existe cura contra o coronavírus

Até agora, não foi encontrada uma cura nem uma vacina capaz de proteger contra o vírus. Alguns países, como os Estados Unidos e a China, que concentra o maior número de casos começaram a testar o remdesivir em pessoas para verificar se ele seria eficaz.

O remdesivir já tinha sido testado em humanos para o Ebola.

Também está sendo testada a cloroquina, remédio contra a malária. Embora os testes feitos nos EUA tenham sido positivos, ainda não é possível afirmar que ela é 100% confiável. O remédio já começou a sumir das prateleiras no Brasil. ATENÇÃO! As sociedades médicas do mundo ainda não se pronunciaram favoravelmente ao medicamento. E ela sequer foi aprovada pelo FDA, a agência que controla medicamentos e alimentos nos EUA.

A cloroquina é usada por muita gente que tem certas doenças autoimunes e que precisam dela! A droga, é bom que se saiba, causa efeitos colaterais que podem ser severos, portanto não se deve tomá-la sem orientação.

AJUDE A NÃO ESPALHAR FAKE NEWS

Antes de ficar espalhando desinformação, procure checar de onde partiu a notícia. Se não consta de onde vem aquilo, não compartilhe. Veja também o histórico de quem fica compartilhando esse tipo de coisa. Geralmente, é alguém que espalha fake news de qualquer assunto.

Faça uma busca na internet. Os veículos sérios estão postando informações que já foram confirmadas. Se você não tiver encontrado nada ali, provavelmente é notícia falsa.

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