1 resposta em “Higino Pimentel Tenório”

Por sorte, conheci Higino Pimentel Tenório durante a pesquisa no mestrado. Eu estudava o calendário mítico Dessâna e tive a oportunidade de hospedá-lo na Pousada Uarumã, um espaço dedicado ao ecoturismo comunitário. Então, eu não podia deixar de perguntar-lhe sobre um conceito indígena que abrisse caminho para o entendimento do que é o calendário mítico, e ele disse a palavra “Wahtortire”, o conceito Tuyuka para a divisão dos tempos, a divisão dos dias. Ele disse: “a divisão dos tempos, a divisão dos dias, quer dizer Wahtortire, são dias que inundam com as passagens das constelações ao pôr-do-sol. Então, essa passagem de tempo ao pôr-do-sol acontece como fenômeno e é isso que a gente chama de Wahtortire – as mudanças. E, para nós, embora o calendário seja astronômico, referente às estrelas, às constelações que passam. No entanto, a gente tem, também, que a astronomia é econômica e cultural. Por que cultural? Por que econômica? Porque, em cada passagem, acontecem fatos, fenômenos. A época da subida de peixes, a migração de animais, a revoada de formigas, o tempo de fazer roça, o tempo de plantar, o tempo de queimar, o tempo de colher, então, isto é chamado Wahtortire: a divisão dos tempos produtivos economicamente, que é estabelecida pelas passagens dos ciclos. Esta é a base da observação de Wahtortire, a produção de infinitos calendários. (HIGINO TUYUKA, conversa pessoal, 2011).

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