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Nasce a Rede de Apoio às Famílias de Vítimas Fatais do Covid-19 no Brasil

Alinhadas ao recém lançado “Pacto pela Vida e pelo Brasil”, organizações da sociedade civil, movimentos sociais e a plataforma Segura a Onda formaram a “Rede de Apoio às Famílias de Vítimas Fatais de Covid-19 no Brasil”. A criação da rede foi motivada pela aceleração do número de mortes confirmadas no país e o crescente índice de infectados diante da iminência do esgotamento da capacidade do Sistema Único de Saúde (SUS) absorver os novos casos graves, que seguirão se multiplicando por todo território nacional nas próximas semanas.

Trata-se de uma iniciativa independente de cidadãos e cidadãs, profissionais de diversas áreas, organizações sociais, pesquisadores e demais pessoas solidárias às famílias e amigos das vítimas. Seu objetivo principal é oferece amparo imediato às famílias em várias áreas, desde contribuir para o resgate e preservação da memória dos mortos em um espaço público até o oferecimento de um conjunto de medidas concretas imediatas para amenizar o sofrimento: reforçar a solidariedade, oferecer orientação, contatos e conhecimentos de outras experiências , garantindo apoio, sobretudo profissional e humano.

A iniciativa define-se como uma “rede emergencial”, sem qualquer vinculação nem interesse político-partidário ou direcionamento ideológico-religioso nesta ou naquela vertente. É, portanto, uma rede suprapartidária e ecumênica, humanitária, e que reúne profissionais de diversas áreas e instituições acostumadas, em seus diferentes e respectivos campos de atuação, a lidar com situações de crises mais graves, incluindo a ocorrência de vítimas fatais. Nestas atividades se incluem o trato das implicações psicossociais que atingem familiares e amigos, vítimas colaterais e conexas pós-trauma.

Não se trata de uma iniciativa ou rede dos familiares de vítimas, mas de solidariedade preventiva e ativa, reunindo imediatamente apoio especializado e humano que pode antecipar esforços e amenizar um pouco o sofrimento devastador. Auxiliar na reconstrução da vida dos familiares e amigos que ficam é, segundo os integrantes da rede, um dever ético, mais do que nunca, de toda sociedade.

Dentre as primeiras medidas de solidariedade já em curso ou em estudo para viabilização emergencial, visando amparo imediato às famílias de vítimas fatais, estão:

1 – Orientações gerais úteis para familiares de vítimas fatais do covid-19

Orientações básicas e gerais para as famílias de vítimas fatais da doença, sejam aquelas já confirmadas, sejam as suspeitas e eventualmente subnotificadas, incluindo desde recomendações médicas, necrológicas, psicológicas e assistenciais ao possível acesso a apoio jurídico e financeiro emergencial;

2 – Orientações para velórios, sepultamentos e rituais de despedida .

Orientações específicas para velórios e enterros nessa situação de calamidade e emergência, incluindo as medidas sobre como lidar com novas exigências de vigilâncias sanitária e epidemiológica preventiva. Também se buscará orientar sobre rituais de despedida, mesmo que virtuais, porém mais dignos, visando salvaguardar os direitos das pessoas mortas e seus familiares, para permitir a despedida humanizada à altura de seus entes queridos vitimados pela pandemia;

3 – Acolhimento, apoio e possíveis encaminhamentos fundamentais para as vítimas e familiares (assistência e amparo psicossocial imediatos e continuados pós-trauma).

Mobilização e disponibilização de informações para o acesso imediato de Defensores Públicos, psicólogos, assistentes sociais, advogados solidários e demais profissionais e/ou instituições de amparo e assistência emergencial às famílias de vítimas;

4 – Canais para garantir o direito à memória, ao luto, ao velório (ainda que virtual) e às devidas homenagens aos mortos.

Criação de canais para o possível acolhimento, amparo, respeito à memória, à verdade, à justiça e a possíveis reparações diante das circunstâncias de cada uma das mortes (por enquanto via e-mail, WhatsApp, Telegram e redes sociais – incluindo desde já a construção coletiva de um “Memorial das Vítimas do Coronavírus no Brasil”. Já está no ar um página no Facebook ( www.facebook.com/memorialcoronabrasil ) e em breve teremos uma galeria aqui no Segura a Onda;

5 – Rede de apoio de jornalistas e outros cientistas sociais para levantamento das informações dos casos, circunstâncias das mortes, eventuais denúncias e sobretudo o resgate das histórias das vidas atingidas (por trás dos números).

Formação de uma rede de colaboradores nas áreas do jornalismo e ciências humanas em geral (história, antropologia, arqueologia forense etc) para apuração das mortes, preservação das memórias. Maiores informações, denúncias, bem como a disponibilidade para contribuir neste mutirão solidário podem ser comunicadas desde já pelo WhatsApp ou Telegram ( 11-93011-3281 ) e também por email: memorialcoronabrasil@gmail.com

6 – Estudo para a viabilização de um “fundo de solidariedade emergencial para o apoio imediato aos familiares das vítimas fatais de covid-19 no brasil”

Finalmente, estuda-se desde já a criação e a viabilização de um “Fundo de Solidariedade Emergencial para Apoio imediato aos Familiares de Vítimas Fatais do Covid-19 no Brasil”. O fundo será constituído rigorosa governança democrática e transparência. Destina-se a medidas necessárias, emergenciais e possíveis de amparo imediato para as famílias mais vulneráveis, cujas novas dificuldades começam desde a necessidade de arcar com os custos do tratamento e, no caso de morte, as custas com velório e toda burocracia relacionada. Considera-se ainda que muitas dessas vítimas são arrimos de família, uma série delas já deixam crianças e outros dependentes órfãos de apoio, o que exigirá um esforço de amparo e solidariedade adicional.

A nova Rede Emergencial de Apoio às Famílias de Vítimas do Covid-19 convida a todos e todas que puderem contribuir de todas as formas possíveis, agradecendo, desde já, toda forma respeitosa de apoio. Finalmente, reitera o pedido que toda sociedade siga cumprindo ao máximo todas orientações preventivas determinadas pelas organizações científicas e de saúde mais sérias e respeitadas, realizando sempre que possível o relativo “isolamento social” e respeitando o máximo possível do distanciamento físico recomendado pelos especialistas em saúde. Ao invés de nos isolarmos ainda mais uns dos outros, pode, quem sabe, nos reaproximar também de outras formas mais solidárias de viver em coletividade (cuidando juntos também dos nossos mortos). Afinal, toda vida importa.>>

Mais informações sobre a rede de apoio e o memorial: 11-93011-3281 (Celular, Zap e Telegram) ou pelo e-mail: memorialcoronabrasil@gmail.com . Novos canais de comunicação e website em breve.

Organizações parceiras já confirmadas na rede em apoio às famílias de vítimas fatais de covid-19 no brasil (aberto a novas adesões de forma permanente):

– Associação de Juízes Pela Democracia (AJD)

– Associação Amparar

– Associação dos Docentes da UNICAMP (Adunicamp)

– Associação de Professores/as de Filosofia e Filósofos/as do Estado de São Paulo (APEOESP)

– Ação Cristã pela Abolição da Tortura (ACAT-Brasil)

– A Bordar Espaço Terapêutico

– Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB)

– Central Única dos Trabalhadores – São Paulo (CUT-SP)

– Centro da Mulher Migrante e Refugiada (CEMIR)

– Centro de Antropologia e Arqueologia Forense (CAAF/Unifesp)

– Centro de Defesa dos Direitos Humanos do Campo Limpo (CDHEP-Campo Limpo)

– Centro de Estudos Periféricos (CEP/Unifesp)

– Coalizão Pelo Clima

– Coletivo “Ampliações” de Serviço Social

– Coletivo Direito Para Quem?

– Conselho de Leigos da Arquidiocese de São Paulo (CLASP)

– CSP-CONLUTAS – Central Sindical e Popular

– Desenrola e Não Me Enrola

– Escritório Modelo Dom Paulo Evaristo Arns / PUC-SP

– Federação dos Trabalhadores em Educação de São Paulo (FETESP)

– Fórum em Defesa da Vida

– Fórum sobre Medicalização da Educação e da Sociedade

– Hip-Hop Mulher

– Igreja Povo de Deus em Movimento (IPDM)

– Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial

– INTERSINDICAL – Central da Classe Trabalhadora

– Jornal Embarque no Direito

– Laboratório de Análise em Segurança Internacional e Tecnologias de Monitoramento (LASInTec/Unifesp)

– Mandata Ativista na ALESP

– Mandato da Deputada Maria Izabel Azevedo Noronha (Professora Bebel – PT-SP) / Presidência da APEOESP

– Mandato do Deputado Carlos Giannazi (Psol-SP)

– Mandato do Vereador Celso Giannazi (Psol-SP)

– Mandato do Vereador Toninho Véspoli (Psol-SP)

– Movimento dos TRabalhadores Rurais Sem-Terra (MST)

– Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST)

– Movimento Hip-Hop Organizado (MH2O)

– Movimento inFINITO.etc : Conversas Sinceras Sobre Viver e Morrer

– Movimento Luta Popular

– Movimento Negro Unificado (MNU)

– Núcleo de Estudos “Trabalho e Cidade” do Laboratório de Pesquisa Social (LAPS/USP)

– Núcleo de Preservação da Memória Política

– Observatório de Violências Policiais e de Direitos Humanos (OVP-DH/PUC-SP)

– Pastoral do Povo da Rua da Arquidiocese de São Paulo

– Pastoral Operária da Arquidiocese de São Paulo

– Periferia em Movimento

– Preto Império

– Revista Amazonas

Segura a Onda – Brasil contra o Covid-19

– Serviço Pastoral do Migrante (SPM)

– Sindicato dos Advogados do Estado de São Paulo

– Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de SP

– Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes

– Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (APEOESP)

– Sindicato dos Químicos de São José dos Campos

– Sindicato dos Trabalhadores da USP (SINTUSP)

– Sindicato dos Trabalhadores em Saúde e Previdência no Estado de São Paulo (SINSPREV)

– TV Grajaú

– UNEAFRO-Brasil