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TOTENS URBANOS PRÓ-SAÚDE

No marco de 120 mil mortos no país, São Paulo receberá edição inaugural da exposição de Totens com Memorial às Vítimas e Prevenção sobre a COVID-19

Projeto “Totens Pró-Saúde” intervém artisticamente no tecido urbano expondo por três meses um mobiliário multiuso e multilinguagens, inédito e premiado internacionalmente, que promove higienização das mãos, cuidados com a saúde física e mental, além de também ser suporte para textos, imagens e criações em homenagem aos mortos pela pandemia, seus familiares e amigos


A cidade de São Paulo irá receber, a partir da segunda-feira (31/08), a edição inaugural da exposição “Totens Urbanos – Memorial Pró-Saúde” com a instalação de suas primeiras unidades na Av. Paulista, em frente ao Trianon-MASP, compondo o projeto que consiste na instalação em série de Totens, intervindo artisticamente na cidade, como suportes a um só tempo para conscientização sobre a saúde física e mental da população ante a pandemia de Covid-19, conteúdos históricos, artísticos e memoriais, registros fotográficos e testemunhos sobre este difícil período que atravessamos, seus heróis e suas vítimas, interagindo em diversos pontos de grande movimento na cidade.
O conceito dos Totens e da intervenção sustenta-se em três diretrizes: Respeito ao passado com a salvaguarda do direito à memória das vítimas e ao luto mais digno possível dos familiares e amigos; Intervenção no cotidiano presente da cidade buscando sensibilizar para o direito à saúde com o acesso a informações atualizadas sobre a prevenção da Covid-19, as quais inclusive podem ser atualizadas em suas interfaces conforme surjam novas recomendações relevantes; Conscientização acerca do futuro* e do mundo pós-pandêmico, a partir do atual flagelo, para que ele não seja somente um fato ou um momento fugaz no limiar do século XXI, mas algo a ser lembrado e que possa ser instrumento de transformações socioculturais que zelem pela intransigente defesa da vida (como bem maior de todos nós), a memória dos que se foram e a solidariedade ativa com quem perdeu entes queridos durante a pandemia.
Os primeiros 17 locais escolhidos na capital são conhecidos pontos turísticos e culturais da cidade, especialmente próximos a Equipamentos de Cultura do Município (VER A LISTA DE LOCAIS ABAIXO), onde os Totens multifuncionais vão servir simultaneamente como local de higienização e conscientização, disponibilizando um dispensador de sabão biodegradável e água ativado por sensores de aproximação – e fornecendo informações sobre a importância do permanente cuidado com a higiene em todo cotidiano da população, bem como aspectos preventivos fundamentais sobre a saúde física e mental, em uma nova espécie de altar, ou templo hi-tech, onde se realiza simultaneamente a celebração da memória dos mortos, conhecidos ou anônimos, da Covid-19 – para que a sociedade não sucumba ao negacionismo em voga nem ao esquecimento.
“Totem” deriva da palavra dodaim da cultura Ojibwe (uma civilização aborígene canadense). Trata-se de um “objeto monumental” compreendido como uma junção de símbolos sagrados que representam entidades naturais (animais, plantas, membros da família etc). “Além da intervenção artística urbana por meio de um objeto inédito, ao mesmo tempo de interesse prático e grande utilidade pública emergencial, os Totens foram concebidos para exercer uma função simbólica. Eles fazem alusão sentimental às perdas de parentes e amigos da população que nem sequer puderam ser velados devidamente”, afirma o arquiteto Leonardo Fernandes Dias, que assina a direção de criação da exposição e fora também o idealizador do projeto arquitetônico original dos Totens Urbanos, grande vencedor na categoria People’s Choice (voto do público) da competição internacional promovida pela plataforma Go Architect / GoDesignClass “Coronavirus Design Competition” (2020), único brasileiro entre os cincos melhores também pela escolha do Júri. 
Ambientalmente sustentáveis e inclusivos, os Totens possuem sistema de higienização acessível a cadeirantes desde o seu próprio design – adaptado para o encaixe dos usuários de cadeiras de rodas, e como já adiantado contém sistema de higienização ativado via sensores de aproximação. Com espaço para fotos, textos informativos, testemunhos e relatos de familiares e historiadores – abordando a importância das expressões do luto e da memória especialmente neste contexto de inumeráveis mortes, os Totens instalados em São Paulo fazem parte de um conjunto de iniciativas culturais envolvendo vários tipos de intervenções, artísticas e educativas, durante os meses de agosto e setembro em toda cidade, ainda sob o contexto da pandemia, abordando-a de forma criativa.
A exposição terá, futuramente, novas edições e itinerâncias por outros pontos e cidades, com tratativas já em curso, a serem apresentadas na sequência de seu lançamento. O conceito e projeto dos Totens também têm várias outras modalidades, e na sua configuração máxima – prevista para as próximas edições – os equipamentos têm potencial para integrar também suporte multimídia opcional para Áudio, Vídeo, aplicação de Grafittis e outras linguagens urbanas, inclusão de QRCodes e dispositivos adicionais para prestações de serviços à comunidade (como a possibilidade de medição de temperatura etc), entre outras possíveis interatividades físicas e digitais nas suas superfícies e interfaces para experimentação do público. 

Lugares de Ausências
O conteúdo simbólico que alimenta os objetos do projeto, na sua edição atual, surgiu da iniciativa de uma exposição memorial chamada “Lugares de Ausência” – inspirada no clássico projeto e rede dos “Sitios de Memoria” realizado na Argentina, sobre a sua ditadura e respectivas milhares de mortes. Trata-se de um estudo para o resgate das memórias de vítimas, realizado pelos historiadores Danilo Cesar e Eliana Trilha Castro junto à psicanalista e paliativista Bruna Tabak. Os três também compõem a coordenação da Rede Nacional de Apoio às Famílias e Amigos de Vítimas da Covid-19 no Brasil (www.redeapoiocovid.com.br), uma iniciativa independente e voluntária da sociedade civil que tem buscado, desde o início da pandemia, acolher pessoas enlutadas e colocar à sua disposição, gratuitamente, através de uma ampla rede de profissionais e interdisciplinaridades, um diversificado repertório de possíveis cuidados e amparos na travessia do luto ainda mais complicado nesses tempos sob o contexto de isolamento social e das diversas restrições por questões sanitárias e epidemiológicas ante a Covid-19. 
A ideia de unir esta dimensão subjetiva das perdas pela pandemia a um objeto urbano multilinguagens foi desenvolvida pelo mesmo grupo, contando também com a direção artística de Gabriel Kiss e Amanda Dafoe, a direção e coordenação de produção dos experientes William Zarella Jr. e Anne Andriow, além do imprescindível apoio do historiador Lucas Lara, do Museu da Pessoa; o psicólogo e professor da ECA-USP Márcio Farias (ex-integrante do Museu AfroBrasil); a museóloga Marilia Bonas, do Museu da Língua Portuguesa e do ICOM-Brasil; e a líder comunitária e trabalhadora autônoma Marta Moura, familiar de duas vítimas fatais da pandemia, que também acompanhou o desenvolvimento do conteúdo e tem o seu finado tio, Paulo Moura, como um dos homenageados pela exposição. 
“Esta edição expositiva do projeto é dedicada ao gigante Aldir Blanc e, na figura desse mestre – que além de médico psiquiatra se tornou um dos maiores compositores da nossa história musical, a todas as vítimas fatais durante a pandemia no país, mas especialmente aos tantos trabalhadores da saúde e da cultura. Esses dois campos que percebemos durante essa quarentena caminharem tão juntos e serem tão imprescindíveis – além de outras áreas essenciais que têm lutado, bravamente, para sobreviver enquanto seguem cuidando de nós. E ainda por cima, vivos ou mortos, seguem nos alimentando, inspirando, encantando. Os Totens, que são ao mesmo tempo-espaço uma política de cultura e saúde públicas, representam também um Salve! a todos os lutos e ‘lutas inglórias que, através da nossa história, não esqueceremos jamais’”, sintetiza Danilo Cesar, que além de um dos curadores é produtor executivo da exposição.
Os Totens Pró-Saúde contam, ainda, nesta edição, com a consultoria de importantes instituições da área de saúde pública e psicossocial, como a Sociedade Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), a Associação Brasileira de Psicologia Social (ABRAPSO) e a Associação Brasileira de Estudos Cemiteriais (ABEC), além da preciosa parceria com o projeto Santinho e seu inventário de memórias, idealizado e coordenado pelas psicanalistas Érica Azambuja e Marília Velano, bem como algumas fotografias de Rafael Vilela, da Mídia Ninja, e reverte colaboração não apenas à Rede Apoio Covid, mas também ao projeto Panela Coletiva – iniciativa social que desde o início da pandemia tem buscado distribuir máscaras, produtos de higiene além de refeições em áreas mais vulneráveis da cidade.

SERVIÇO DA EXPOSIÇÃO:
EXPOSIÇÃO “TOTENS URBANOS – MEMORIAL PRÓ-SAÚDE” (edição inaugural, SP, Ago/2020)

Responsável pelo Projeto Arquitetônico e Diretor de Criação: Leonardo Fernandes Dias
Curadoria Histórica e Psicossocial: Danilo Cesar, Elisiana Trilha Castro e Bruna Tabak
Direção de Arte: Gabriel Kiss e Amanda Dafoe
Direção e Coordenação de Produção: William Zarella Jr. e Anne Andriow
Consultoria de Conteúdo Expográfico: Lucas Lara, Marcio Farias, Marília Bonas e Marta Moura
Datas: de 31 de Agosto a 30 de Novembro 

Locais: 17 Pontos da Capital Paulista (ver abaixo)

Visitação e Interação: Franca e Gratuita

Classificação Etária: Livre
Realização: Cidade de São Paulo
Coprodução: Elástica Cenografia, Lado Arquitetura, Instituto Encontro das Águas e Museu da Pessoa
Parceria: ABEC, ABRAPSO, SPDM, Mídia Ninja, Panela Coletiva, Rede Apoio Covid e Santinho
Mais Informações: www.totemprosaude.com

LOCAIS DAS INSTALAÇÕES DOS 20 TOTENS NA CIDADE:


Ponto 1 – Av. Paulista (altura do MASP, na calçada oposta, em frente ao Pq. Trianon) – a partir de 31/8 – Conjunto Expositivo de 4 Totens, com homenagem especial ao Aldir Blanc e a Paulo Moura

Ponto 2 – Praça da Sé (altura da Barão de Paranapiacaba) – a partir de 01/09

Ponto 3 – Praça do Patriarca (Centro) – a partir de 01/09

Ponto 4 – Viaduto do Chá (próximo à Prefeitura de SP) – a partir de 01/09

Ponto 5 – Av. São João x Ipiranga  (Centro) – a partir de 03/09

Ponto 6 – Biblioteca Mário de Andrade (área externa) – a partir de 03/09

Ponto 7 – Largo da Batata (ZO)

Ponto 8 – CCSP – Centro Cultural São Paulo (área externa) 

Ponto 9 – CCJ – Centro Cultural da Juventude  (área externa) – ZN

Ponto 10 – Largo da Matriz, em frente à Casa de Cultura Freguesia do Ó “Salvador Ligabue” – ZN

Ponto 11 – Av dos Metalúrgicos altura do número 165 (Cidade Tiradentes – ZL)

Ponto 12 – Praça Brasil (Itaquera) –  Av. Nagib Farah Maluf, s/n – Conj. Res. José Bonifácio  – ZL

Ponto 13 – Centro Cultural Grajaú (área externa) – ZSPonto

14 – Av Dona Belmira Marin, número 165 (imediações Term. Grajaú – ZS)

Ponto 15 – Largo Treze de Maio (Santo Amaro – ZS)

Ponto 16 – Praça do Campo Limpo (ZS)

Ponto 17 – Terminal Lapa (ZO)

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Por Chris Metzker

Analista de Projetos Sociais Senior na Fundação Telefônica Vivo. Trabalho com o projeto Escolas Conectadas, de formação continuada online de professores da rede pública. Possuo formação em Administração, com habilitação em Marketing, mestrado em Organizações e Recursos Humanos e uma tentativa de doutorado em Gestão do Conhecimento.