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Voltamos!

A desesperança nos imobiliza e nos faz sucumbir no fatalismo onde não é possível juntar as forças indispensáveis ao embate recriador do mundo. Não sou esperançoso por pura teimosia, mas por imperativo social e histórico. (…) não há utopia verdadeira fora da tensão entre a denúncia de um presente tornando-se cada vez mais intolerável e o anúncio de um futuro a ser criado, construído política, estética e eticamente por nós mulheres e homens.

Pedagogia da Esperança – Paulo Freire

Há pouco mais de um ano atrás criamos essa plataforma com o objetivo de ajudar o Brasil a segurar a onda da contaminação pelo Coronavírus. Como em algum momento acontece com toda iniciativa de caráter 100% voluntário, reduzimos nossas atividades em função das prioridades individuais que no limite acabam se sobrepondo às prioridades do coletivo.

Infelizmente um ano se passou e perdemos essa batalha. Hoje o Brasil é o epicentro da pandemia com mais de 300 mil mortos e 12 milhões de casos registrados até o momento desta publicação. A despeito da vontade de muitos brasileiros, queremos acreditar que seja da maioria, o país se tornou uma ameaça ao mundo com o descontrole da contaminação e a lentidão da vacinação, que favoreceram o surgimento de novas cepas mais contagiosas.

Perdemos a batalha, mas não a guerra. O trabalho realizado aqui se manteve vivo por si só, pois a sua relevância permanece inalterada, se não, aumentada. Diante deste cenário, resolvemos retomar nossas atividades e propomos que nossa atuação priorize essas frentes:

1. Fora Bolsonaro

Acreditamos que a pandemia é uma crise humanitária que transcende ideologias políticas e partidárias. Neste último ano buscamos nos manter neutros, pragmáticos e focados no papel de amplificadores de todas as ações e informações que possam mitigar os efeitos da pandemia. Porém é inegável a responsabilidade do Governo Federal, representado na pessoa do presidente Bolsonaro, pelo agravamento da pandemia no país, seja pela omissão, ou pela resistência na adoção dos protocolos de segurança e incentivo às aglomerações, difusão de notícias falsas, subestimação da doença, indiferença e até mesmo desprezo pelos mortos, incentivo e gastos com tratamentos não comprovados, dificuldades impostas na aquisição e produção de vacinas, e incompetência na implementação de um plano nacional de vacinação. Quando até mesmo o mercado financeiro e a base de aliados do centro sinalizam um basta, não é mais sustentável praticar ativismo pandêmico sem dizer em alto e bom som: #FORABOLSONARO!

2. Vacina para todes

Para se atingir a imunidade de rebanho, a estimativa é que entre 60 e 70% da população deve ser imunizada. Até o momento apenas 6,32% da população brasileira foi vacinada e a situação mundial chega a ser pior com menos de 6%. Para reverter esse cenário precisamos exigir que os governos assegurem que as vacinas sejam consideradas bens públicos globais e gratuitos e que as patentes sejam quebradas para a produção de bilhões de vacinas.

3. Lockdown

A única forma de conter o estágio atual da pandemia e reverter o colapso do sistema de saúde é a adoção de lockdown. De acordo com boletim da Fiocruz na última terça-feira a adoção do lockdown é recomendada para reduzir as transmissões em 40%. Precisamos exigir que os governos em todas as três esferas adotem a medida de forma urgente!

4. Ajudas emergenciais para populações mais afetadas

A fome está batendo nos lares brasileiros novamente, milhares estão sendo empurrados para as ruas. A taxa de desemprego bateu o recorde de 13.5%. O cenário é catastrófico. O novo auxílio emergencial aprovado pelo governo é insuficiente. Precisamos apoiar campanhas civis de doações de cestas básicas e exigir o aumento do auxílio emergencial além de outras medidas econômicas como a quebra do teto de gastos.

5. Reforço dos protocolos de segurança

Após um ano de pandemia, muitas pessoas ainda resistem à utilização de máscaras e não praticam o distanciamento social e a desinformação continua se espalhando. Com o início das vacinações, esse cenário pode se agravar pois as pessoas vacinadas podem achar que não necessitam mais seguir os protocolos. Por outro lado, ficar em casa nunca foi uma opção para quem vive nas periferias, para quem não tem casa ou quem precisa sair para trabalhar. E além disso ficar em casa pode significar risco de vida para muitas mulheres e crianças, as principais vítimas de violência doméstica. Precisamos reforçar os protocolos de segurança, mas com uma abordagem de redução de danos, mostrando os níveis de riscos e oferecendo opções caso não seja possível adotar os protocolos de forma restrita.

Por fim, convidamos a todos que puderem ajudar neste momento a vir conosco e colocamos nosso espaço e nossas redes à disposição daqueles que precisam amplificar suas vozes nos meios digitais! Juntxs somos mais fortes!

Por Cátia Kitahara

Designer de interfaces, especializada em WordPress, fundadora da Comunidade Brasileira de WordPress.